BARTIRA COUTINHO

DESIGNER E ARTISTA PLÁSTICA

Graduada pela Universidade Federam de Pernambuco, nasceu em Recife onde reside atualmente. Em sua carreira no universo criativo sempre mesclou arte e design, sem delimitar fronteiras, sendo assim suas peças de design autoral  beberam de várias fontes, seja nos trabalhos de ecodesign, tendo inclusive recebido alguns prêmios e menções honrosas onde se destaca o Prêmio Pernambuco Criativo. A artista se apropria das tecnologias de fabricação digital para desenvolver seus trabalhos de arte e design. Foi aluna do mestre Abelardo da Hora e participou de um ateliêr coletivo com ele. Já participou de várias exposições coletivas e algumas individuais. Em suas obras percebe-se não só a influência do mestre Abelardo como também do grande artista pernambucano Corbiniano Lins e, também dos elementos vazados da arquitetura pernambucana, os famosos cobogós. Na pintura as cores vibrantes são uma constante e são um reflexo de sua personalidade forte e inquieta. Em suas duas últimas exposições convidou o expectador a não só observar a obra em si, mas como também os espaços  vazios que as contém. A exposição “Elogio ao Vazio” em que foram expostas obras de metal cortadas em laser e plasma foi um exemplo de suas maiores influencias aqui já citados.

Além de peças de design e esculturas e quadros, Bartira também passeia pelo mundo da moda e vem desenvolvendo uma pesquisa para criação de uma linha ecojóias digitais e também painéis arquitetônicos de metal cortado em laser e plasma.

Sobre a exposição Déco Tropical

…A art déco afetou as artes decorativas, a arquitetura, o design de interiores e desenho industrial, assim como as artes visuais, a moda, a pintura, as artes gráficas e até o cinema… Esse processo parece estar na base dos trabalhos recentes de Bartira já que à sobriedade dos traços de suas esculturas em aço ela acrescenta, digitalmente, uma paleta que resulta das intrincadas e inexplicáveis combinações de quatro letras que já são um jargão no mundo digital: cmyk, ou melhor dizendo e soletrando: cemiqui.

Esta tropicalização dos traços Grayscale ou PB presentes nas esculturas resulta da irrupção dos tons quentes de verão nas entrelinhas de seu desenho, sensual e ao mesmo tempo contudo. Que outra alternativa teria uma artista com as inquietudes de Bartira recebendo doses diárias de luz e cores aos borbotões, transbordando por janelas e horizontes de mar, de morro nas ladeiras de Olinda, nos arrecifes e boa viagem?

O resultado é uma arte com a qual é possível (e prazeroso) conviver, iluminando nosso cotidiano com imagens de rara beleza: um deco tropical.

Miguel Paladino