EDNA CARLA STRADIOTO

WATERCOLOR PAINTER

A arte é o encontro, o diálogo, a travessia. Assim Edna define a arte.

Tendo como eixo temático o estilo figurativo em que se encanta especialmente os retratos.

“Recentemente eu fui influenciada pelo encantamento das paisagens de capim.Percebo que existe cada dia mais a influência do capim nos meus cenários. Minhas pinceladas estão incorporando o movimento do capim, as direções do vento nas plantas, e toda a fluidez etérea do ar que pode ser capturada pelo pincel para a criação das imagens que procuro retratar cada vez mais.”

“Percebe-se na trajetória de Edna Carla Stradioto uma latente necessidade de expressar-se como se fosse uma necessidade premente, quase visceral. Ao descolar-se de seus trabalhos de retratos e adentrar no universo das paisagens, o que toma conta não é a paisagem em si mesma, mas uma sensação que não deixa de se mostrar quase que por teimosia, que é a busca de uma compreensão do objeto em suas mais variadas facetas. Neste sentido, não se admira o quanto de profícuo se fez o tema do capim dos pampas. Sua procura quase obsessiva pelo melhor gesto, pela justeza da técnica pincel seco ou pincel molhado, gesto rápido ou lento, suas escolhas têm relação íntima com suas próprias expectativas no momento do ato criador. É perceptível, ao adentrar em seu universo pictórico, observar uma qualidade muito própria daqueles que se detém na difícil tarefa de expressar-se através da aquarela, que é esta junção tênue entre a sensibilidade refinada e gestos delicados, porém precisos, além de uma capacidade imprescindível de criar um diálogo com a própria criação, apercebendo-se do momento exato de abandonar a faina criadora, visto que esta alcançou sua autonomia, descolando-se de seu criador e tomando vida própria. O que encontramos são trabalhos imbuídos de uma beleza inerente de forma dupla, ao próprio objeto, sua qualidade que lhe é própria quanto à forma específica plasmada pela artista, sua escolha, seu recorte, que acaba por trazer à vida imagens de uma beleza plástica sensorialmente poética, o que nos faz retornar ao início destas linhas, do desejo, a partir da apreciação de seu trabalho, de tocar com suas próprias mãos as espigas do capim dos pampas, sentindo-lhe sua suavidade e apreciando sua beleza quase etérea. O contato com esta temática abriu-lhe inúmeras possibilidades criativas, de pesquisa de gestuais, de incorporação destes em suas outras intencionalidades criativas, extrapolando os próprios limites da representação do objeto avançando por outras paragens – da incorporação dos gestos em suas representações de retratos, quanto em trabalhos de cunho abstrato em que a experimentação gestual e colorística se soma agora à sua sempre presente necessidade de expressar-se.”​

Werner Krapf

Artista plástico, educador e crítico de arte