LIANE BRIAND

ARTISTA PLÁSTICA E ARQUITETA

Não tenho estilo definido. A medida que avanço no tempo as ideias fluem e percebo que não fui feita para ficar dentro de uma caixa fechada. Eu preciso dos efeitos surpresa, da inspiração, criação e renovação. Pouco a pouco me construo como artista mesmo com minhas incertezas, falta de confiança, a dúvida de saber qual caminho tomar…e onde parar? Depois de tanto tempo de pesquisa, de formação continuada, de pesquisa, de trabalho artístico, hoje sou livre de fazer minhas escolhas nas imagens, na representação, na técnica. Seja na pintura à óleo, acrílica, no desenho, cerâmica ou outros, seja figurativo ou abstrato… eu me divirto!

Há momentos no qual sinto a necessidade de expulsar meus demônios trabalhando na argila por dar formas figurativas afim de observar o movimento que eu dou e sua representação em 3D. A natureza me comove e me inspira de maneira particular e diferente também! Ela representa para mim o “divino”! Enfim, eu reivindico de minha parte o direito à diversidade em todas as técnicas, na folia das cores e as vezes no silêncio do crayon ou na opacidade da tinta da China, mas também na transparência da aquarela… 

Eu sinto que uma porta se abre ao meu caminho. Eu me divirto…eu penetro nesse universo artístico, eu creio. Eu penso em ainda ter tempo de me exprimir… Se quiserem, sigam-me, eu os convido a olhar através de meu caleidoscópio artístico e a descobrir uma multidão de cores.

Constantemente animada pelo prazer de pesquisar os “efeitos de surpresa, de inspiração, de criação e de refundação, “a artista compõe suas pinturas à partir de sua memória, de sua imaginação ou à partir de uma fotografia.
Com seu domínio soberano das cores, na autonomia livre de sua linguagem expressiva das formas e das cores, ela eleva o tema da água como um verdadeiro motivo de suas pinturas.
Essencialmente nos portos da Normandia e Bretanha, ela observa o jogo de reflexos, da luz sobre a superfície da água, que formam o ponto de partida das suas obras. Nestas imagens geralmente dominadas pelo azul do mar em todas as suas nuances, ela consegue muito bem fixar a superfície plana como um espelho, que o movimento dos cascos dos barcos com o vento e no vai-e-vem das ondas.
As cores do mar se misturam. O movimento da água e os reflexos formam então suas próprias estruturas, esboçando círculos e ornamentos excepcionais, transformando o rigor da linha reta em formas e contornos coloridos e brincalhões.
É o ritmo da interação particular que a artista restitui de uma maneira muito pessoal. A estética e a intenção destes “instantâneos”, que podemos qualificar de “impressionistas “estão apoiados por um enquadramento restrito, até mesmo parcial da imagem, un senso soberano da cor, que faz com que a cor seja o portador determinante da expressão.
À partir daí, com uma força “expressionista “, as forças se desnaturam no quadro e vão até a abstração pura, na qual somente a cor determina a composição da imagem.​

Gabriele Bundrock-Hill

HISTORIADORA DE ARTE DA ALEMANHA