Regine Helene

REGINA HELENE

ARTISTA PLÁSTICA

Nascida em São Paulo mas com vida em São Roque no ano 2000 iniciou o projeto social PASSO que durou 15 anos e dentro dele, as oficinas culturais despertaram nela a paixão pela arte. Começou com esculturas em bronze expondo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Buenos Aires e China. Nos dois anos seguintes participou da Grande Exposição de Arte Bunkyo e depois de uma passagem pela pintura, que lhe rendeu exposição no Salão de Outono da América Latina (2017) e uma individual no Clube de Golfe Vila da Mata em São Roque, voltou às obras tridimensionais, agora com produtos diversos com destaque aos têxteis. Esse foi o marco do salto da artista na arte.

Os primeiros trabalhos da série foram exibidos em 2018 na Casa da Fazenda do Morumbi (São Paulo) e no ano seguinte na Galeria de Arte Braz Cubas (Santos). Ainda em 2019 recebeu o prêmio no salão de Artes Plásticas de Praia Grande (São Paulo) e foi selecionada para a primeira mostra do Programa de Exposições do MARP (Museu de Artes de Ribeirão Preto, São Paulo).

A artista utiliza um processo criativo em que incorpora o múltiplo, o heterogêneo. É uma expansão da escultura ao tratar de volumes flexíveis aglutinados, da costura informal, das linhas e rendas gráficas intuitivas da adição de múltiplos materiais na sua estrutura-base.

As técnicas utilizadas pela artista têm por base a aglutinação mediante a assemblage, a tridimensionalidade e o objeto e, através dela, a artista alcança uma rica diversidade de forma, cor e volume, criando um vocabulário de impacto visual.

Na obra de Regina, a desconstrução da matéria é um elemento estrutural predominante, é seu território simbólico, no qual ela manifesta toda a sua personalidade.

Essas linhas e cordões dialogam com os volumes, com os preenchimentos e com os espaços cromáticos, outorgando a esses elementos que compõem a obra pesos e valores visuais diferenciados, conseguindo um resultado livre e corajoso, fruto dessa harmonia de excessos.

São esses cordões emaranhados de teor orgânico e selvagem que modificam a percepção da assemblage saturada da artista, os quais conduzem nosso olhar pelos volumes e aglutinações, inserindo profundidade na obra e aumentando a força dos seus campos cromáticos.

A liberdade e a complexidade das suas criações dão início à formulação das próprias teorias visuais da artista, levando-nos a um imaginário singular de obras expressivas que retém o nosso olhar.

Embora vejamos uma aparente ambiguidade entre o território emocional e o racional, plasticamente o que acaba prevalecendo de modo geral no campo da representação são as composições abstratas, líricas e emotivas, nas quais os procedimentos híbridos estão ganhando espaço e corpo na atualidade.

As obras de Regina são selvagens ao extremo e, ao mesmo tempo aconchegantes e, é justamente essa característica que toma sua obra atraente ao nosso olhar.

Waldo Bravo

Artista-curador e arte-educador