ZÉLIA MENDONÇA

ARTISTA PLÁSTICA E ARQUITETA

É uma artista autodidata e doutora honoris causa em arte e cultura pela Faculdade de Ciências e Artes Lauro Freitas, Universisade Unip Pólo Lauro de Freitas, Faculdade de Ciências e Artes de Paris, Conselho de Defesa dos Direitos Humano, Comissão de Educação/Lauro de Freitas, Bahia. Em 2008 recebe o Prêmio Vitória Alada, Ordem dos Parlamentares do Brasil e em 2014 recebe a Comenda da Liberdade e da Cidadania, Fazenda do Pombal. As distinções vêm reconhecer a dimensão cívica e interventiva da sua personalidade que a levam a encontrar na Arte, mais do que um meio de expressão, uma forma de afirmação de ideias e valores vinculados, sempre, à observação atenta e preocupada que faz do seu Brasil.

A artista estreia-se apenas aos 58 anos, com uma exposição individual intitulada Encontro, em Tiradentes, Brasil. Nesse mesmo ano, no âmbito de uma exposição coletiva com curadoria de Heloiza Azevedo, ganha o segundo lugar pelo júri popular, em Paris, França. Desde então, tem vindo a expor individualmente e coletivamente em vários pontos do Brasil, em Espanha, França, Itália ou Portugal, incluido-se no currículo museus públicos e privados, galerias e outras instituições culturais e sendo já recorrente a sua presença em alguns dos eventos que marcar a arte contemporânea em Portugal e nos quais se insere a Bienal Internacional de Arte de Cerveira. DO OUTRO LADO resulta de um processo de residência artística que Zélia Mendonça levou a cabo em Vila Nova de Cerveira, no outono de 2019.

A arte de Zélia Mendonça deriva da nova tendência que, nas últimas décadas marcou a arte contemporânea  tanto pela audácia como às vezes pela negação da veradeira criação estética. Não é o acaso das obras de Zélia Mendonça que. se não se vale das técnicas tradicionais, tampouco mergulha na irreverência fácil. Pelo contrário, valendo-se de objetos como bustos, cadeiras, lâmpadas, ela os transfigura, criando coisas fascinantes, ainda que originárias de nosso cotidiano. Aliás, o fascínio vem dessa transfiguração. É portanto, desse choque, do banal com o onírico, que nasce o encanto das obras que ela inventa. Essa invenção – ou reinvenção – seja de um torso feminino seja de uma simples cadeira – dá-se pela profusão das cores e dos elementos inusitados de que lança mão para os recobrir e nos arrastar para o sonho. Essas obras às vezes evocam os cenários de uma espécie de teatro surreal e, ao mesmo tempo, parecem impregnadas da magia própria aos rituais da cultura negra brasileira. É, por isso mesmo, uma mescla do sofisticado e do popular.

Ferreira Gullar